O Paraná enfrenta um cenário crítico diante dos desastres naturais: apenas 30% dos municípios possuem estrutura mínima de defesa civil, enquanto mais de 2 mil áreas de risco estão mapeadas, expondo milhões de pessoas a vulnerabilidades climáticas.
Entre 2015 e 2025, o Paraná registrou 5.923 ocorrências climáticas, incluindo estiagens, vendavais e tornados, que afetaram cerca de 4,5 milhões de pessoas e geraram prejuízos estimados em R$ 32 bilhões. O levantamento do Ministério Público de Contas (MPC-PR) revela que a maioria dos municípios não possui estrutura adequada para enfrentar tais eventos, ampliando a vulnerabilidade da população.
Segundo o relatório, apenas 121 cidades contam com a estrutura mínima de defesa civil, composta por coordenador, diretor operacional e secretário designados. Em contrapartida, 278 mu-nicípios não possuem todas as funções preenchidas, e duas cidades sequer têm servidores oficialmente nomeados para atuar na área.
O estudo também identificou 2.052 áreas de risco, das quais 873 estão su-jeitas a inundações, 645 a enxurradas e 534 a deslizamentos de terra. Esses números representam ameaça direta a mais de 869 mil pessoas e milhares de residências.
A divulgação do relatório coincide com o alerta da Organização Meteoro-lógica Mundial sobre a possibilidade de um forte episódio de El Niño em 2026, intensificando a preocupação com os impactos futuros. Para o MPC-PR, é urgente que os municípios fortaleçam suas estruturas locais, elaborem planos de contingência e ampliem ações pre-ventivas.
O Paraná, situado em um dos prin-cipais corredores de tornados do plane-ta, precisa transformar a defesa civil em política pública permanente. Sem isso, os riscos climáticos continuarão a expor milhões de cidadãos a perdas humanas e materiais cada vez mais severas.






