O litoral do Paraná vive um boom imobiliário sem precedentes. Obras como a Ponte de Guaratuba, a engorda das praias e a revitalização das orlas transformaram a região em vitrine para investidores e veranistas. O metro quadrado, que antes girava em torno de R$ 6 mil, hoje chega a R$ 9 mil em áreas centrais e ultrapassa R$ 15 mil em pontos exclusivos, como Caiobá.
É inegável que a infraestrutura traz benefícios: melhora o acesso, amplia a faixa de areia e fortalece o turismo. Mas há um lado menos discutido. A valorização acelerada pode excluir moradores locais e pressionar comunidades tradicionais, que veem o custo de vida disparar. O litoral corre o risco de se tornar espaço restrito a quem pode pagar, perdendo parte de sua identidade.
O desafio está em equilibrar desenvolvimento e inclusão. Investimentos públicos e privados devem caminhar junto com políticas de habitação e preservação ambiental. Caso contrário, o que hoje é celebrado como progresso pode se transformar em desigualdade e desgaste social. O futuro do litoral depende de escolhas que vão além da especulação imobiliária.






