
Distribuidoras e postos de combustíveis ampliaram suas margens em até 103% desde o início de 2026, segundo relatório do Ministério de Minas e Energia. O aumento acompanha a alta do petróleo provocada pela guerra entre Estados Unidos, Israel e Irã, além das medidas do governo para conter preços.
A diferença entre compra e revenda subiu 28% na gasolina e 17% no diesel S-10. O maior impacto foi no diesel S-500, usado em veículos mais antigos, cuja margem cresceu mais de 103% apenas neste ano. Desde 2021, os reajustes acumulados chegam a 302% para o S-500, 115% para o S-10 e 90% para a gasolina, muito acima da inflação de 35%.
Especialistas apontam que tensões internacionais e receio de desabastecimento levam consumidores a aceitar valores mais altos. Já representantes do setor alegam que os custos operacionais, como fretes e importações, pressionam os preços.
O governo, preocupado com os efeitos eleitorais, acionou a ANP para fiscalizar práticas abusivas. Entre 16 e 20 de março, 154 agentes foram inspecionados em 12 estados, resultando em 11 autuações e nove interdições. A Vibra Energia, que detém 22% do mercado, foi multada após elevar o preço do diesel em R$ 1,06 por litro, enquanto seu custo subiu apenas R$ 0,03.
A nova Medida Provisória nº 1.340 prevê multas de até R$ 500 milhões para empresas que confirmarem abusos. O Planalto teme que a disparada neutralize o pacote de alívio, que zerou impostos e concedeu subsídios, mas ainda não conseguiu segurar os preços nas bombas.






